Unicamp Ventures e Inova Unicamp moderam debate sobre investimento feminino e deep techs no CIW 2025

Quatro mulheres sorriem para a câmera em frente a um painel com o texto "UNICAMP VENTURES: INVESTIMENTO FEMININO". Elas estão usando crachás de evento, e o painel ao fundo contém pequenos retratos e informações biográficas.

Unicamp Ventures e Inova Unicamp moderam debate sobre investimento feminino e deep techs no CIW 2025

Painéis da sala “Elas conectam” no Campinas Innovation Week destacam o protagonismo feminino e reúnem especialistas para discutir a interseção entre ciência, mercado e diversidade

Texto: Vinicíos Rosa – Inova Unicamp | Fotos: Pedro Amatuzzi – Inova Unicamp

O Female Founders Report, relatório conjunto da Distrito, Endeavor e B2Mamy, revelou que negócios fundados por mulheres representavam 4,7% do ecossistema de startups brasileiro em 2020 e só 0,04% desse total receberam aporte em venture capital — capital de risco.

Articular iniciativas que viabilizem o empreendedorismo feminino se torna essencial para contrariar essa desproporção. É nesse cenário que o grupo de empreendedores Unicamp Ventures e a Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) organizaram e moderaram dois painéis do Campinas Innovation Week (CIW) 2025, abordando o tema e reunindo mulheres empreendedoras e investidoras.

O painel “Unicamp Ventures: investimento feminino” e o painel Deep techs fundadas por mulheres” fizeram parte da programação da sala Elas conectam no CIW 2025. O objetivo de ambos foi debater sobre o progresso feminino nos ecossistemas de inovação e empreendedorismo. Para isso, os painéis reuniram especialistas para discutir a interseção entre ciência, mercado e diversidade e demonstrar que as mulheres estão redesenhando os cenários de investimento e de deep tech (empresas que desenvolvem soluções com base científica e tecnológica). Os dois encontros trouxeram entre as painelistas empreendedoras de empresas-filhas da Unicamp, mapeamento realizado pela Inova, e/ou de startups residentes no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, sob gestão da Inova.

O CIW, realizado anualmente em Campinas (SP), é um dos principais eventos de inovação, tecnologia e negócios do interior do estado de São Paulo. Ele conecta universidades, centros de pesquisa, startups e empresas para fomentar o empreendedorismo e o desenvolvimento tecnológico. Com um público estimado em 20 mil pessoas, a edição de 2025 ocorreu entre 09 e 13 de junho no Pátio Ferroviário de Campinas.

Unicamp Ventures: investimento feminino

O painel “Unicamp Ventures: investimento feminino” ofereceu uma visão prática sobre fundraising — captação de recursos — durante a tarde de 12 de junho. A moderação foi de Roseane Ramos, ex-presidente e atual conselheira do grupo de empreendedores Unicamp Ventures e também CEO da Match<IT>, empresa-filha da Unicamp residente no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.

Quatro mulheres participam de um painel de discussão sentadas em poltronas no palco. Uma mulher na ponta direita está falando ao microfone. O painel luminoso ao fundo exibe o título "UNICAMP VENTURES: INVESTIMENTO FEMININO" e as fotos e descrições das palestrantes.

O painel Unicamp Ventures: investimento feminino ocorreu na sala “Elas conectam” do CIW durante a tarde de 12 de junho.

A Match<IT>, empreendimento cadastrado na base da Inova Unicamp, oferece uma plataforma de gestão da inovação e de tecnologia da informação (TI), habilitada por inteligência artificial (IA) e especialistas de negócio, que gera eficiência, aumento do retorno sobre o investimento (ROI) e otimização do tempo de lançamento no mercado.

Ao abrir o painel, a moderadora enfatizou a missão de desmistificar o fundraising para mulheres, explicando que por trás de cada decisão de investimento há uma análise criteriosa, aliada à procura por propósito e inovação.

“Apenas 2% do capital de risco global vai para startups fundadas exclusivamente por mulheres (Harvard Business Review, 2021), mas startups lideradas por mulheres têm 35% mais retorno sobre investimento quando bem financiadas (BCG & MassChallenge, 2018). Soma-se a esses dados o fato de que só 15% dos investidores anjo no Brasil são mulheres (Anjos do Brasil, 2023). Não existe só um jeito de investir, mas ter mais mulheres investindo é um passo estratégico para mudar o ecossistema. Esse painel trouxe ao palco essa discussão tão relevante, que abordaram muito mais do que investimento — falamos de confiança, acesso, escuta e tomada de risco com propósito. Temas fundamentais para a evolução de nosso ecossistema”, comenta Roseane Ramos, ex-presidente e atual conselheira do grupo de empreendedores Unicamp Ventures.

O debate contou com a experiência de Elisa Silva, co-fundadora e presidente da UniAngels e partner na 39A Ventures. Egressa da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM) da Unicamp, ela apresentou a UniAngels — rede de investidores anjo que atua no ecossistema de empreendedorismo, com foco em conexões com a Unicamp — e contextualizou as possibilidades de conectar startups a investidoras. Ela também apontou que a conexão com o ecossistema empreendedor da Unicamp potencializa o acesso a talentos e ideias disruptivas.

Em seguida, Jaana Goeggel compartilhou sua visão enquanto co-fundadora e general partner da Sororitê. Seu fundo de venture capital possui uma tese clara: investir em startups em estágio inicial que foram fundadas ou co-fundadas por mulheres. Goeggel foi reconhecida pela Associação para Investimento de Capital Privado na América Latina como uma das principais mulheres investidoras em tecnologia na América Latina, trazendo ao painel um panorama global sobre o investimento feminino. Além disso, ela destacou que tal modalidade de investimento significa investir em inovação com propósito, considerando retornos financeiros e sociais significativos.

Quatro mulheres sorrindo, posam juntas em frente a um estande do evento "Elas Conectam", identificado por um grande arco rosa com um letreiro circular roxo. Todas as mulheres usam crachás de identificação do evento. O ambiente parece ser de uma feira ou congresso.

Estão na foto, no sentido da esquerda para a direita, a Rose Ramos (Match), a Elisa Silva (UniAngels), a Jaana Goeggel (Sororitê) e a Simone Luvizan (Octua).

Completando o time, Simone Luvizan falou de sua atuação como investidora e executiva. Ela focou no segmento feminino e ressaltou a importância de capacitar e a necessidade de mais mulheres no lado investidor para promover a equidade. Luvizan é head na Octua, uma consultoria que apoia empresas em jornadas de inovação e transformação digital. Como investidora anjo, ela integra a Sororitê e o grupo de investidores anjo GVAngels.

O painel foi concluído com um pitch de Maísa Ciampi, co-fundadora da Defense Fertilizer, empresa-filha da Unicamp incubada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp). A apresentação serviu como um estudo de caso ao vivo, permitindo que as investidoras demonstrassem ao público como funciona a dinâmica de perguntas e avaliação de uma startup. Ciampi é pós-graduada em agronomia, patologia vegetal e diagnóstico molecular pelo Instituto de Biologia (IB) da Unicamp.

Deep techs fundadas por mulheres

Com a moderação de Anabelle Custodio, especialista em boas práticas em de ações socioambientais e governança, conhecido pela sigla  ESG (Environmental, Social, and Governance), na Inova Unicamp, o painel Deep techs fundadas por mulheres” focou na vanguarda tecnológica, com ênfase em empreendedoras que transformam ciência complexa em soluções para o mercado. Deep techs são startups que desenvolvem soluções inovadoras baseadas em avanços científicos e tecnológicos complexos. Essas empresas atuam em áreas como biotecnologia, IA, computação quântica, nanotecnologia, energias limpas e outras áreas de ponta.

Quatro mulheres sentadas em cadeiras num palco, interagindo durante um painel de discussão. Ao fundo, um telão exibe o título "DEEP TECHS FUNDADAS POR MULHERES" e perfis das palestrantes. Uma das mulheres segura um microfone. O cenário é em tons de rosa e roxo.

O painel “Deep techs fundadas por mulheres” ocorreu na sala “Elas conectam” do CIW em 12 de junho e focou na vanguarda tecnológica.

O encontro ressaltou o papel transformador das mulheres que lideram deep techs, evidenciando a excelência científica, a resiliência frente aos desafios estruturais de gênero e a visão estratégica; todas importantes para construir um negócio de impacto socioeconômico sustentável e positivo.

A co-fundadora da empresa-filha da Unicamp Defense Fertilizer, Geisa Mesquita, trouxe para o painel as suas perspectivas em relação ao tema, inclinando-as para o segmento de agtech — negócios que aplicam tecnologias inovadoras no setor agrícola para otimizar processos e aumentar a eficiência no campo. Ela também mencionou a gratificação em transformar pesquisa em soluções reais. A Defense Fertilizer é uma startup agtech residente no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e incubada na Incamp. O empreendimento pesquisa e desenvolve soluções para o controle sustentável de doenças de plantas e aumento da performance produtiva das culturas.

A discussão do painel “Deep techs fundadas por mulheres” prosseguiu com Viviane Damásio, co-fundadora e diretora-executiva da ForNano, empresa-filha também incubada na Incamp e residente no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, que oferece serviços e produtos que utilizam nanopartículas, atendendo pequenas e grandes indústrias do ramo farmacêutico, cosmético, nutracêutico e fitoterápicos. Para Damásio, a inovação farmacêutica exige rigor e visão estratégica, e as mulheres lideram esses caminhos com excelência. Ela é mestra e doutora em biologia funcional e molecular pelo Instituto de Biologia (IB) da Unicamp.

Quatro mulheres posam sorrindo em frente a um grande arco decorado com um letreiro circular que diz "ELAS CONECTAM" e tem um símbolo de rede ou conexão no centro. Todas usam crachás de evento.

Estão na foto, no sentido da esquerda para a direita, Anabelle Custodio (Inova Unicamp), Paula Speranza (ProVerde Processos Sustentáveis), Geisa Mesquita (Defense Fertilizer) e Viviane Damásio (ForNano).

Por fim, Paula Speranza , fundadora da ProVerde Processos Sustentáveis ​​, compartilhou sua jornada na área da biotecnologia.A mestra e doutora em ciência de alimentos pela Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp contextualizou que o propósito de sua empresa é impulsionar a inovação plant-based — dieta ou estilo de vida focado no consumo de alimentos de origem vegetal — e que a biotecnologia feminina constrói um futuro alimentar promissor. A ProVerde é uma empresa-filha da Unicamp residente no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, que entrega melhorias nutricional, funcional e sensorial de ingredientes vegetais por meio de bioprocessos, viabilizando aplicações em diversos produtos das indústrias de alimentos, nutrição animal, embalagens e cosméticos.

O “Unicamp Ventures: investimento feminino” e o Deep techs fundadas por mulheres”, painéis da sala Elas Conectam no CIW 2025, ressaltaram a importância da diversidade. Ambos evidenciaram um movimento crescente: mulheres não apenas ocupam, mas lideram espaços decisivos na ciência e no mercado e fortalecem o ecossistema empreendedor a partir de Campinas e região.

SOBRE O GRUPO UNICAMP VENTURES

O Unicamp Ventures é uma rede de relacionamento dinâmica, composta por empreendedores de empresas-filhas da Unicamp. Com o propósito de unir os empreendedores da Unicamp, o Grupo surgiu em 2006, durante o 1º Encontro de Empreendedores da Universidade, promovendo a troca de experiências e debates sobre temas estratégicos. Ao fortalecer esses vínculos, o Unicamp Ventures busca impulsionar o ecossistema de inovação e potencializar o desenvolvimento das empresas-filhas.

Acesse o site do Unicamp Ventures para saber de outros eventos e iniciativas abertos ao público.

O QUE SÃO EMPRESAS-FILHAS?

São consideradas empresas-filhas da Unicamp os empreendimentos fundados por alunos, egressos (ex-alunos), funcionários, docentes, pesquisadores ou outras pessoas que têm ou tiveram algum vínculo com a Universidade. Além disso, enquadram-se nessa categoria as empresas incubadas ou graduadas na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), ou os negócios que possuem em seu core business um conhecimento, protegido ou não, desenvolvido na Unicamp, conhecidas como spin-offs acadêmicas.

As empresas que cumprem algum desses requisitos estão aptas para serem cadastradas como filhas da Unicamp. O cadastro é gratuito e deve ser efetuado no site da Inova Unicamp. Cadastre-se aqui!

SOBRE A INOVA UNICAMP

A Inova Unicamp é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Universidade e atende a todos os campi. A Agência de Inovação Inova Unicamp foi criada em 2003 com o objetivo de identificar oportunidades e promover atividades que estimulam a inovação e o empreendedorismo, ampliando o impacto do ensino, da pesquisa e da extensão em favor do desenvolvimento socioeconômico sustentado.

A Agência apoia a comunidade na proteção da propriedade intelectual da Unicamp, na transferência de tecnologia, na consolidação de convênios de Pesquisa e Desenvolvimento entre a Unicamp e o setor empresarial. Ela também é responsável pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e da sua Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp), além de fomentar a comunicação e a cultura de empreendedorismo e inovação com programas de relacionamento institucional e capacitações.

Para saber mais, acesse os serviços em: www.inova.unicamp.br