Entre o laboratório, o mercado e a gambiarra: onde a inovação tropeça?

Foto colorida mostra um homem observando a tela de dois computadores. Fim da descrição.

Entre o laboratório, o mercado e a gambiarra: onde a inovação tropeça?

Foto colorida apresenta o logo do evento Unicamp Ventures nas cores azul e amarelo. Fim da descrição.Este artigo foi produzido pela Neger Telecom, empresa parceira do ecossistema da Unicamp e patrocinadora do 20º Encontro Anual Unicamp Ventures, principal evento de conexão das empresas-filhas da Unicamp.

Artigo por: Eduardo Neger – Neger Telecom | Foto: Divulgação – Neger Telecom

Imagine três caminhos diferentes para transformar uma boa ideia em negócio. O primeiro começa em um laboratório, entre microscópios, jalecos brancos e modelos matemáticos complexos. O segundo nasce em um coworking, entre jovens programadores de sapatênis, planilhas de investimento e promessas de crescimento exponencial. O terceiro surge em uma comunidade, onde alguém cria uma solução simples e barata para resolver um problema que ninguém mais olhava.

Estereótipos à parte, estes três caminhos têm seus próprios nomes: deeptechs, startups digitais e inovações frugais. Cada um deles revela uma forma distinta de fazer inovação e todos enfrentam o mesmo desafio: sobreviver. 

Segundo o IBGE, menos de 40% das empresas que contratam funcionários sobrevivem após cinco anos de atividade. O chamado vale da morte, período crítico entre o segundo e o quinto ano de vida da empresa, é onde ocorre a maior parte dos fechamentos. Em 2022, apenas 37,3% das empresas abertas em 2017 ainda estavam ativas.

As estatísticas mostram, mal parafraseando o provérbio, que “de boas ideias o inferno está cheio”. Mas até que ponto a forma de inovar afeta a longevidade empresarial? 

Deeptechs: a ciência como motor de negócios

As deeptechs são o lado mais profundo da inovação. São empresas que nascem da pesquisa científica. Transformam descobertas de laboratório em produtos capazes de mudar indústrias inteiras: vacinas de nova geração, baterias mais eficientes, semicondutores avançados, novos materiais, modelos de inteligência artificial.

Reconhecida como protagonista de um dos ecossistemas de inovação mais sólidos da América Latina, a Unicamp já gerou mais de mil e quinhentas empresas-filhas, muitas delas classificadas como deeptechs.

O caminho, porém, é longo. O ciclo entre o protótipo e o mercado pode levar 5, 10 ou até 15 anos. Exigem grandes investimentos e paciência. Não é por acaso que o financiamento destas empresas é chamado de capital paciente.

A trajetória das deeptechs é árdua. Estas empresas enfrentam o vale da morte justamente no período crítico entre a prova de conceito e a validação comercial, quando o risco é alto e o caixa é limitado.

Startups digitais: o jogo da velocidade

No extremo oposto estão as startups de alta escalabilidade, empresas que apostam no crescimento rápido e em modelos de negócio digitais. Não precisam reinventar a mecânica quântica, mas sabem como transformar tecnologia existente em experiências escaláveis: aplicativos, marketplaces, plataformas SaaS, APaaS, fintechs e healthtechs, entre outras.

O segredo dessas startups é o time-to-market: chegar primeiro, crescer rápido e conquistar usuários antes dos concorrentes. O capital de risco tradicional, o venture capital, adora este modelo: investimentos menores, retornos mais previsíveis e horizontes de tempo curtos.

Contudo, há um porém: a escalabilidade nem sempre vem acompanhada de profundidade tecnológica. Muitas startups operam sobre tecnologias já consolidadas, inovando mais no modelo de negócio do que na base científica.

Enquanto as deeptechs escalam devagar, mas com impacto potencialmente transformador, as startups digitais escalam rápido, mas correm o risco de saturar mercados e perder relevância.

As deeptechs correm uma maratona de pesquisa, ao mesmo tempo em que as startups digitais disputam uma corrida de 100 metros rasos por atenção e tração.

Inovação frugal: a simplicidade como revolução

Existe, ainda, um terceiro tipo de inovação, menos glamorosa e mais próxima da vida real: a inovação frugal. Ela nasce da necessidade de resolver problemas concretos com recursos limitados, sem depender de laboratórios de ponta ou rodadas de investimento.

É a tecnologia feita com engenhosidade, empatia e economia. Pode ser um equipamento médico de baixo custo, um aplicativo acessível para bancarização de populações carentes ou uma rede de conectividade rural baseada em antenas simples, como as que fazemos com o RuralMAX aqui na NEGER Telecom.

Não, não são gambiarras. Mas dificilmente serão citadas em artigos científicos ou no currículo Lattes de pesquisadores renomados. Não disputam prêmios de sofisticação, mas mudam realidades locais. O foco é resolver problemas reais, muitas vezes ignorados por governos e empresas, mas com impactos diretos na sociedade.

É um tipo de inovação que combina criatividade e impacto social e que, muitas vezes, atravessa o temido vale da morte mais rapidamente, justamente por ser barata, útil e adaptável.

Três caminhos, um mesmo destino

O vale da morte é a metáfora perfeita para o momento mais crítico da jornada de qualquer inovação: o intervalo entre a pesquisa e o mercado. É quando o dinheiro do projeto acaba, o protótipo ainda não está pronto e o investidor não quer correr riscos.

Deeptechs sofrem mais nessa travessia, porque precisam de anos de validação, certificações e infraestrutura cara. Startups enfrentam o vale em outro ritmo, rápido e intenso, dependendo de crescimento constante para não perder fôlego. Já as inovações frugais lidam com o vale de forma pragmática: gastam pouco, erram rápido e se adaptam ao contexto local.

O futuro da inovação brasileira não está em escolher entre ciência de ponta, escalabilidade digital ou simplicidade criativa. Está em combinar estas três forças: a profundidade das deeptechs, a velocidade das startups e a empatia das inovações frugais.

O ecossistema da Unicamp mostra que isso é possível: a ciência e o mercado podem caminhar juntos, e a inovação não precisa ser apenas disruptiva, pode ser também relevante, humana e sustentável.

Do laboratório ao hype, do campus ao campo, a convergência entre profundidade científica, velocidade empreendedora e simplicidade criativa é o que permitirá às empresas nascentes superarem, sem tropeços, seus desafios no mundo real.

 

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Sobre o Encontro Anual Unicamp Ventures

O Encontro Anual Unicamp Ventures é, há 20 anos, o principal evento e ponto de encontro dos empreendedores das empresas-filhas da Unicamp com outras empresas, alunos e professores aspirantes ao empreendedorismo. A primeira edição do evento foi realizada em 2006 e deu origem ao grupo de empreendedores Unicamp Ventures (UV). Desde então, o encontro é realizado anualmente pela Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) com o apoio do UV, chegando à 20ª edição em 2025.

Os patrocinadores da 20ª edição do Encontro Anual Unicamp Ventures são:

  • ClarkModet
  • FM2S
  • IOU Unicamp
  • Neger Telecom
  • QualiSign
  • PALAS

O 20º  Encontro Anual Unicamp Ventures é organizado por:

  • Unicamp Ventures
  • Agência de Inovação Inova Unicamp
  • Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Confira tudo o que aconteceu no 20º Encontro Anual Unicamp Ventures neste link.

O que são empresas-filhas da Unicamp?

As empresas-filhas da Unicamp, conforme a Resolução nº 30/2025, publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo, são os empreendimentos criados por alunos, egressos e profissionais que têm ou tiveram vínculo formal com a Unicamp; ou então as startups incubadas e graduadas na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp); ou ainda as empresas spin-off acadêmicas, criadas a partir de resultados de pesquisas e do conhecimento produzido na Unicamp, independentemente de consistirem em ativos de propriedade intelectual protegidos ou não.

A empresa que desejar se cadastrar como filha da Unicamp deverá submeter sua solicitação à Inova Unicamp, neste formulário.