Desafios na diversificação de riscos e acesso ao capital privado em startups brasileiras

Foto colorida apresenta um notebook posicionado ao lado de algumas frutas e uma xícara de café. Fim da descrição.

Desafios na diversificação de riscos e acesso ao capital privado em startups brasileiras

Este artigo foi produzido pela ClarkeModet Brasil, empresa parceira do ecossistema da Unicamp e patrocinadora do 20º Encontro Anual Unicamp Ventures, principal evento de conexão das empresas-filhas da Unicamp.

Artigo por: Claudio Castanheira e Débora Oliveira – ClarkeModet Brasil | Foto: Freepik

Ao longo dos últimos 20 anos o Brasil avançou significativamente em quantidade e qualidade dos instrumentos de incentivo à inovação. Estas iniciativas são de extrema relevância estratégica para o país, uma vez que é crônica a necessidade de imprimirmos maior conteúdo tecnológico na produção nacional, que sofre com a baixa produtividade da mão-de-obra e pouca competitividade dos produtos no mercado global. Startups, e em particular as deep techs e spin-offs de universidades, têm um papel importante no desafio de reverter este cenário, conectando de forma eficiente o conhecimento desenvolvido em nossas instituições de ensino e pesquisa com as necessidades de mercado. 

A análise de alguns indicadores que compõem o Global Innovation Index 2025, que compara 139 países quanto às práticas utilizadas que levam à inovação, permite quantificar o tamanho deste desafio:

  • P&D nas universidades – somos ranking 26 no “QS University ranking, top 3”, indicador [2.3.4] que mede a qualidade do nosso sistema de pesquisa pública. 
  • Colaboração Universidade-Empresa – somos ranking 84 no indicador [5.2.2] que avalia a extensão das interações visando P&D conjunta.
  • Desenvolvimentos de Clusters – somos ranking 86 no indicador [5.2.4] que avalia iniciativas do governo e do setor privado para promover a interação entre negócios.
  • Complexidade da produção e exportação – somos ranking 64 no indicador [6.3.2] que é baseado no Índice de Complexidade Econômica (ECI) da Universidade de Harvard. O indicador mostra a baixa diversidade e complexidade da nossa pauta de exportações. 

Para vencer o desafio de financiamento de suas atividades, as startups precisam de capital de risco. Os projetos de desenvolvimento de produtos com alto teor tecnológico são tipicamente caros e exigem um longo período de maturação. A diversificação dos riscos destes projetos é fundamental para viabilizar o investimento privado – em um país com taxa de juros soberano das mais elevadas do mundo a questão se torna a primeira prioridade. Os instrumentos de capital público são fundamentais neste contexto, e aqueles disponíveis às startups brasileiras vem avançando, apesar do ainda limitado alcance. 

Por exemplo, no universo de quase 1.000 deep techs, quase metade ainda não acessou qualquer tipo de investimento e somente 170 acessam ambos o capital público e privado. As outras 360 deep techs não conseguem atrair o interesse do capital privado, dificultando escalar a produção e introduzir os produtos nos mercados. 

É fundamental que o ente público disponibilize mais instrumentos, e que estes instrumentos prevejam maior volume de recursos. Mas é também crítico que as startups busquem usar estrategicamente os instrumentos existentes. 

Dependendo da etapa do ciclo de inovação que a startup se encontra, é possível se beneficiar de um dos muitos recursos disponíveis migrando de um para o outro dependendo da maturidade tecnológica e do modelo de negócio. Alguns exemplos de programas mais acessados por startups estão listados a seguir:

  • Manutenção de capital humano de elevada qualificação, tanto técnica quanto empresarial: programas como MAI/DAI e RHAE Pesquisador na Empresa do CNPq, ou Inova Talentos do IEL, atuam na capacitação de recursos humanos e na inserção de pesquisadores em ambientes empresariais, facilitado, de quebra, a interface entre a universidade e a empresa.
  • Validação técnica e estruturação do negócio: programas como Catalisa ICT do Sebrae, PIPE-FAPESP e Doutor Empreendedor da FAPERJ apoiam a estruturação e novos negócios através de recursos para um projeto com potencial de mercado.
  • Escalonamento e maturação tecnológica: programas como Finep Mais Inovação e Finep Propriedade Intelectual são alguns dos mais utilizados uma vez que a tecnologia desenvolvida já esteja validada. Estes programas estão destinados ao incentivo à provas de conceito, geração de propriedade intelectual e comercialização.

Importante também ressaltar a importância da proteção da propriedade intelectual destas startups em todas as etapas. Sem o apropriado registro de suas marcas, uso do sistema de patentes e desenhos industriais e contratos que protejam claramente o know-how das startups, há elevado risco de sua sustentabilidade uma vez que lancem seus produtos em um mercado altamente competitivo.  

Com a vantagem do PD&I gerado na universidade brasileira, o uso eficiente dos instrumentos disponíveis para diversificação de risco, atraindo mais capital privado, e a proteção da propriedade intelectual gerada, é certo que as chances de revertermos o quadro desafiador da competitividade dos produtos nacionais virá.

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Sobre o Encontro Anual Unicamp Ventures

O Encontro Anual Unicamp Ventures é, há 20 anos, o principal evento e ponto de encontro dos empreendedores das empresas-filhas da Unicamp com outras empresas, alunos e professores aspirantes ao empreendedorismo. A primeira edição do evento foi realizada em 2006 e deu origem ao grupo de empreendedores Unicamp Ventures (UV). Desde então, o encontro é realizado anualmente pela Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) com o apoio do UV, chegando à 20ª edição em 2025.

Os patrocinadores da 20ª edição do Encontro Anual Unicamp Ventures são:

  • ClarkModet
  • FM2S
  • IOU Unicamp
  • Neger Telecom
  • QualiSign
  • PALAS

O 20º  Encontro Anual Unicamp Ventures é organizado por:

  • Unicamp Ventures
  • Agência de Inovação Inova Unicamp
  • Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Confira tudo o que aconteceu no 20º Encontro Anual Unicamp Ventures neste link.

O que são empresas-filhas da Unicamp?

As empresas-filhas da Unicamp, conforme a Resolução nº 30/2025, publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulosão os empreendimentos criados por alunos, egressos e profissionais que têm ou tiveram vínculo formal com a Unicamp; ou então as startups incubadas e graduadas na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp); ou ainda as empresas spin-off acadêmicas, criadas a partir de resultados de pesquisas e do conhecimento produzido na Unicamp, independentemente de consistirem em ativos de propriedade intelectual protegidos ou não.

A empresa que desejar se cadastrar como filha da Unicamp deverá submeter sua solicitação à Inova Unicamp, neste formulário.